Web 2.0, Web 3.0… e a acessibilidade, fica pra Web 4.0?

Primeiramente, que fique bem claro, eu odeio esse termo Web 2.0, sou totalmente contra desde o início, mas para exemplificar melhor o que pretendo escrever serve bem.

No início de 2005, época em que trabalhava para o Governo do Estado de São Paulo, me passaram a responsabilidade de criar um site que fosse 100% acessível, o que era uma novidade para mim e para o Governo. Comecei então a correr atrás de referências, sites que falassem sobre como criar sites sem tabela, pois até esta época a minha vida era cortar imagens no Photoshop e jogar em tabelas no Dreamweaver e pronto (e como eu fazia isso bem!!).

A partir deste momento um mundo novo se abriu, preocupações que eu nunca havia tido como navegação por teclado, teclas de atalho para acesso rápido ao conteúdo da página, organização de conteúdo semântico, compatibilidade com leitores de tela, áreas de clique de botões maiores, funcionalidades de tamanho de texto, cores pensadas para pessoas com baixa visão ou qualquer tipo de deficiência.. dentre muitas outras coisas. Mas apenas com estes exemplos já dá para perceber que a Web 2.0 herdou e a Web 3.0 herdará muitas das coisas que a acessibilidade trata como base de sua existência, então vem a pergunta “porque não pensar em acessibilidade e complementar com novos pensamentos?”.

Imaginem que linda seria uma internet acessível a todos, que tem toda uma organização semântica para os buscadores, que contempla todas as firulas que a Web 2.0 propõe e ainda mais! Funciona em todos os tipos de dispositivos!! Maravilhoso não é?

Agora, um questionamento que sempre é feito por empresas quanto a isso:

“O quanto custa e quanto tempo é necessário para fazer?” e a resposta está na ponta da língua:

“Custa à mesma coisa, e demora o mesmo tempo”. Agora vocês devem estar achando que eu sou louco, certo? Por que não fazemos assim então? Eu posso me explicar… ou pelo menos tentar.

Desde que eu entrei na iThink aprendi muito, e pude passar um pouco do conhecimento que já tinha sobre desenvolvimento de interface para outras pessoas, mas também fiquei encarregado de corrigir a avaliação e conversar com muitos candidatos que aparecem por lá para a vaga de desenvolvedor de interface… e me desculpem, mas gente boa é difícil de achar no mercado  (na verdade, nem sei se tem tanta gente boa por ai). Na correção de alguns testes eu não perdia 2 segundos, e em outros ficava alguns minutos olhando e vendo se mesmo com alguns errinhos valia à pena chamar a pessoa para bater um papo, pois era algo que seria facilmente corrigido durante o período de experiência. Até hoje eu só corrigi 1 teste que eu pude falar “esse vale a pena, não preciso explicar nada”. Mas e ai, aonde eu quero chegar falando sobre isso? Quero mostrar que os profissionais de internet não sabem direito o que estão fazendo, e que as agências estão totalmente dependentes de algumas poucas pessoas que seguram a grande maioria dos Jobs (se existir um lugar que não é assim me avisem, quero trabalhar lá!).

Tendo este problema de profissionais de interface que não são suficientemente bons, junto com a incrível vontade que os programadores têm de pegar um XHTML validado e continuar fazendo com que ele seja validado (isso porque em todos os testes de programadores que eu vi na iThink, aonde existe o campo de auto-avaliação em conhecimento de HTML, todos colocaram 10), o cuidado de fazer um código que seja bem identado, que não precise de ajustes de CSS pós-integração e tirando layouts que não colaboram em nada, é praticamente impossível garantir bons trabalhos, de fácil manutenção e que atenderão os padrões de acessibilidade, semântica e validação W3C.

Depois de ter explicado isso volto à pergunta do título deste artigo “e a acessibilidade, fica pra Web 4.0?”. Por favor, não!!! Vamos capacitar melhor às pessoas, ensinar a elas como se faz um XHTML direito, como nomear classe e ID’s corretamente, como criar um menu com itens e sub-itens de forma organizada antes de nos preocupar com a Web 2.0! A evolução da internet tem que passar pela acessibilidade antes de querer se expandir. Cada vez mais nos distanciamos da criação de sites que sejam multi plataforma, pois dependemos completamente de javascript para fazer o Ajax que os clientes acham tão necessário! Porque afinal, Ajax é a Web 2.0 para eles!

Os sites precisam ser funcionais e depois ter as firulas, e não ter firulas que são a base funcional do site! Estamos indo totalmente contra a maré, e para desfazer este nó levaremos muito tempo, muitos sites precisarão ser refeitos e muito dinheiro será gasto.

Ajudem-me a levantar esta bandeira! Leiam este artigo publicado a mais de 2 anos e entrem nesta corrente de pensamento… Vamos salvar o nosso trabalho! Acessibilidade não é ser bonzinho, é ser inteligente!

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